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Editorial

Uma nova NEW,S para os novos tempos

A revista New,s, uma publicação da Wilson Sons que você já conhece pelo conteúdo relevante e de qualidade, estreia agora em novo formato digital, com mais interatividade e facilidade para acessar as reportagens que os leitores quiserem ver ou mesmo rever. Cada conteúdo, seja texto, infográfico, imagens, podcast ou vídeos, foi idealizado para melhorar a experiência dos usuários, tornando a leitura ainda mais prazerosa. 

Este lançamento será realizado apenas nos meios virtuais por ora — e a razão é conhecida de todos: o avanço da pandemia causada pelo novo Coronavírus.

A COVID-19, doença causada pelo Coronavírus, mudou as formas de trabalho e tem sido uma preocupação mundial, principalmente pela rapidez na contaminação. Nossas operações seguem com todas as medidas protetivas necessárias para garantir a segurança e a saúde de nossos colaboradores, clientes e parceiros.

Com muita responsabilidade, a Companhia segue acompanhando os impactos e monitorando o desenvolvimento da situação, mas não poderíamos deixar de oferecer aos leitores que nos acompanham conteúdo de qualidade e de relevância, em meio a este período que vivemos.

A Wilson Sons entende a necessidade de conteúdos relevantes neste momento. Com mais de 180 anos de história, a empresa oferece soluções completas para as mais variadas indústrias, como as de Óleo e Gás (O&G) e de Comércio Exterior. São milhares de parceiros que também têm sofrido os impactos da pandemia. E a nova edição da New,s, mais tecnológica, é uma maneira de olhar para esses novos cenários.

Nesses tempos de trabalho remoto, a produção de conteúdos que informem e façam os leitores pensarem à frente são uma forma importante de enfrentarmos essa situação.

A revista New,s, em sua primeira versão digital, com conteúdos que vão além dos textos, trouxe a visão de grandes profissionais do mercado sobre temas que estão na ordem do dia na cadeia de suprimentos e que vão fazer você, leitor, pensar fora da caixa. Veja o que você vai encontrar na publicação.

  • Um formato inédito para a Wilson Sons é o podcast “O que pode ser feito para aprimorar as embarcações do futuro”, que traz profissionais falando de como é possível otimizar a eficiência das embarcações.
  • Três profissionais de renome trazem suas expectativas para o que esperar do mercado marítimo nessa nova década, com uma visão de mais longo prazo para o segmento. Como a questão dos combustíveis limpos, por exemplo, pode afetar o mercado?
  • Mais interatividade também é possível com os vídeos que tratam sobre o uso da Inteligência Artificial nas navegações e sobre os processos de segurança no transporte de itens de alto valor agregado.
  • O futuro do trabalho e todas as transformações que a atualidade impõe aos profissionais e às empresas.
  • Os desafios das companhias para tornar as cadeias produtivas mais sustentáveis, como as possibilidades de energias alternativas, dentre outros.
  • Reflexões sobre o mercado do gás natural no Brasil, que mostram os desafios e possibilidades desse combustível, cujo consumo tende a crescer 100% até 2030.
  • A segurança nas cargas de alto valor agregado, extremamente importante para o mercado de luxo no Brasil, com números muito representativos.
  • Os benefícios da navegação interior no Brasil e como esta impacta positivamente a economia.

A Wilson Sons é líder no segmento portuário e está presente em mais de 30 portos e terminais, operando as principais linhas marítimas que ligam o Brasil ao mundo todo. A crise enfrentada nesse cenário de COVID-19 é uma preocupação a todos os negócios e setores da economia, mas também é um momento de se cercar de informações precisas, mirando estratégias para o futuro próximo.

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Mercado naval brasileiro

Novas formas de pensar o Fundo da Marinha Mercante (FMM)

O mercado de navegação brasileiro conta há anos com um fundo para financiamento de seus projetos de construção naval. Entretanto, é possível que haja uma ampliação do uso desse recurso, e isso pode significar uma boa notícia.

O mercado de navegação brasileiro conta há anos com um fundo para financiamento de seus projetos de construção naval. Entretanto, é possível que haja uma ampliação do uso desse recurso, e isso pode significar uma boa notícia.

Quando Juscelino Kubitschek assinou a criação do FMM, Fundo da Marinha Mercante, em 1958, muito se esperava sobre o potencial naval brasileiro, mas pouco se podia prever o resultado do financiamento de projetos navais em terras tropicais. Com o objetivo de fornecer recursos para a renovação, ampliação e recuperação da frota mercante brasileira, o fundo era destinado ao desenvolvimento da marinha mercante e da indústria naval, trazendo benefícios para todo o país. Hoje o FMM está ligado ao setor de transportes do Ministério de Infraestrutura, e gerenciado pela Secretaria de Fomento. Desde sua criação, a ideia deu muito certo.

Somente nos últimos treze anos, o apoio do FMM à marinha mercante e à indústria naval foi traduzido em 776 projetos de construção de embarcações, e outros 49 projetos de reparo e modernização de embarcações nos estaleiros brasileiros. O Fundo ainda tem recursos disponíveis para aumentar significativamente esses resultados.

Por isso, hoje, o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) busca novas formas de aplicação destes recursos. Para Rafael Furtado, Diretor de Fomento e Desenvolvimento da Infraestrutura e Dino Antunes Dias Batista, Diretor do Departamento de Navegação e Hidrovias, ambos do MINFRA, a forma de aplicação de recursos do FMM deve ser expandida, e não limitada aos projetos que hoje financia, o que representa uma boa notícia para a indústria naval.

O FMM contribui para a competitividade do mercado naval brasileiro e tem as perspectivas de alavancar ainda mais a indústria neste sentido

Novas perspectivas para o FMM

“O crescimento das receitas fez com que tivéssemos uma disponibilidade de recursos suficientes em caixa para o financiamento de projetos em benefício da navegação e da indústria naval”, conta Rafael Furtado. A partir daí, um plano foi bolado. “Queremos que novos financiamentos possam ser realizados com esse recurso”, conta.

O FMM foi criado em um momento no qual a globalização da navegação não era tão intensa como na atualidade. É normal que, ao longo dos anos, ele o Fundo passe por uma série de transformações para se adaptar à nova realidade da Marinha Mercante Brasileira, e da Construção Naval diante do cenário internacional.

Com a ampliação das possibilidades do FMM, o rol de operações passíveis de serem realizadas poderia considerar o financiamento em favor da construção ou aparelhamento de terminais portuários, arrendados e autorizados. “Hoje, só se pode usar esses recursos para empresas de navegação e estaleiros, mas pode ser de interesse do setor que seja possível a utilização desses recursos para as plataformas, e também para os terminais portuários de maneira que este investimento se traduza em maior eficiência para os transportes e para a segurança das embarcações”, explica Furtado.

Fala-se também da possibilidade de aplicação do fundo em descomissionamento das plataformas, assim como outras ideias que possam ampliar a vida útil da capacidade instalada nos estaleiros, como reparo, docagem de embarcações em estaleiros nacionais. “Hoje identificamos que há um potencial para a indústria naval também ser competitiva no reparo de embarcações e podemos ampliar ou facilitar ou criar uma linha específica para esses reparos”, comenta o Diretor de Fomento.

As propostas não são pensadas unicamente para facilitar o desenvolvimento da navegação, e da construção naval. Estas propostas, em paralelo, podem trazer projetos de desenvolvimento que seriam do interesse e suportados pelo Ministério da Economia, Ministério das Minas e Energia, Ministério do Desenvolvimento Regional, além do Ministério da Infraestrutura.

Como funciona hoje o Fundo da Marinha Mercante

Sobre o funcionamento atual do Fundo da Marinha Mercante, o seu Conselho Diretor avalia a quantidade de recursos disponíveis, e o prazo de retorno desses recursos. Também há uma carteira de obras que já estão contratadas, nas quais é possível identificar qual a quantidade de recursos deve ser destinada a cada uma delas. A partir desta análise é que o Conselho determina os próximos passos, projetos, estabelecendo prioridades de acordo com as necessidades do mercado.

Hoje, o Fundo atua nos cinco setores da navegação brasileira (interior, apoio marítimo, apoio portuário, cabotagem e longo curso), com resultados positivos em todos eles. Segundo Dino Antunes Dias Batista, Diretor do Departamento de Navegação e Hidrovias, na navegação interior, por exemplo, os resultados são muito bons: “A gente teve a substituição de toda a frota de navegação interior, que fazia transporte de combustíveis, por embarcações mais modernas e seguras com o casco duplo”. Situação semelhante pode ser observada no setor de apoio portuário, onde a frota construída tem maior capacidade, de força, e manobrabilidade.

No segmento de apoio marítimo, os resultados também são expressivos. Dino Batista comenta que foram entregues, nos últimos anos, dezenas de embarcações com conteúdo tecnológico avançado, que permite que o Brasil crie um diferencial competitivo para a indústria naval nacional, quando comparado com outros países.

Vale lembrar que o modelo atual de funcionamento do CDFMM permite a participação de todos os envolvidos: os sindicatos dos armadores (Sindarma e Syndarma), o Sinaval, sindicato dos construtores navais, o sindicato dos trabalhadores marítimos, os trabalhadores de estaleiros, e o Governo. Além disso, há uma valorização da transparência, principalmente em relação ao processo de aprovação dos projetos, levando em conta a realidade do momento.

O FMM e a PEC 187/2019

Um cenário que preocupa alguns dos investidores no setor é o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 187/2019 que permitiria que o Governo alterasse a finalidade dos recursos hoje retidos em fundos infraconstitucionais, e vinculados a áreas específicas. Tratada como prioridade até alguns meses atrás, a PEC ficou em segundo plano com a chegada da pandemia, porém ainda é um ponto de atenção.

Não há nada específico na PEC que trate sobre o fim do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), destinado, prioritariamente, a compor o FMM, tranquiliza Furtado. Com isso, o segmento tem garantias de que o fomento às atividades da indústria naval não será extinto. Portanto, a fonte de recursos para o financiamento não irá secar.

Ele ainda complementa que, por isso, estão sendo feitas previsões para que se tenha uma aplicação correta dos recursos, e quando houver um cenário de aprovação da PEC (que não extingue automaticamente os fundos, eles podem ser reativados com uma justificativa), a estrutura do FMM esteja tão robusta e bem desenhada, que possa atender à necessidade do setor e gerar valor para a sociedade sem precisar ser comprometida.

Conheça as perspectivas de reestruturação do FMM:

  • aumento de celeridade nas análises e concessões dos pedidos;
  • maior abrangência em projetos como o apoio a terminais portuários, arrendados e autorizados e descomissionamentos;
  • maior foco no reparo naval, com ampliação dos incentivos para reparo de embarcações nos estaleiros nacionais;
  • adequação da legislação para estipular a flexibilidade do uso do fundo;
  • financiamento a módulos de Plataformas e Integração, com foco no crescimento da demanda de E&P da indústria de óleo e gás.

Um convite para a indústria naval

Atualmente, somam-se mais de 14 bilhões de reais no FMM para o desenvolvimento da indústria naval. O valor é resultado de uma gestão transparente e em conformidade com os objetivos para os quais o Fundo foi criado.

A intenção com as possíveis modificações é ampliar as linhas de financiamento, aperfeiçoar os procedimentos de análise de projetos como também ampliar o prazo de carência ou de amortização. “Como temos hoje uma folga nesse fluxo de caixa, isso significa que conseguimos ampliar o prazo de carência”, aponta Rafael Furtado.

A mudança deve acontecer em breve, mas isso exigirá do investidor na área de navegação e construção naval também uma ação. “Hoje os recursos do fundo podem financiar tanto os estaleiros como empresas brasileiras de navegação e estamos aguardando os projetos para atendermos a essa possibilidade”. Diante disso, o Diretor faz uma provocação: “tragam projetos”!

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Inteligência Artificial

Os impactos da inteligência artificial para o apoio portuário

Entenda de quais formas os avanços da Inteligência Artificial impactam a rotina dos rebocadores. Fizemos um vídeo sobre a inteligência artificial no apoio portuário. E, ainda, para entender melhor como funciona, acompanhe o infográfico que ilustra o tema.

Entenda de quais formas os avanços da Inteligência Artificial impactam a rotina dos rebocadores. Fizemos um vídeo sobre a inteligência artificial no apoio portuário. E, ainda, para entender melhor como funciona, acompanhe o infográfico que ilustra o tema.

Os avanços da Inteligência Artificial (IA) foram significativos ao longo das últimas décadas. Nesse sentido, os setores de operações logísticas portuárias e marítimas têm se beneficiado bastante. Tanto é que as rotinas de alguns profissionais cujo trabalho é feito nessas áreas, como os rebocadores, foram completamente transformadas.

De acordo com a pesquisa “O impacto da IA no mercado de trabalho”, realizado pela consultoria DuckerFrontier para a Microsoft, a IA poderia gerar um ganho significativo de produtividade em diversos setores. Na prática, os números poderiam gerar um aumento de 7,1% na taxa anual de crescimento PIB até o ano 2030. No setor marítimo e portuário, por exemplo, a Petrobras e a Microsoft estão implementando um projeto para usar inteligência artificial em alto-mar.

Para abordar esse assunto, entrevistamos especialistas que têm um cotidiano próximo dessa realidade — Elísio Dourado e Yuri Fedoruk, que são gerentes regionais da Wilson Sons; Toine Cleophas, gerente de pesquisas da DAMEN; Rodrigo Barrera e Eduardo Aoun Tannuri, pesquisador e professor titular do Tanque de Provas Numérico da Universidade de São Paulo (TPN-USP), respectivamente.

Dentro desse contexto, a Inteligência Artificial vem sendo utilizada para otimizar a relação com frotas e com o carregamento em geral — ele pode eliminar deslocamentos desnecessários, reduzindo a emissão de CO2.

A influência da Inteligência Artificial no segmento portuário e marítimo

Na prática, rebocadores poderão se movimentar em horários adequados, percorrendo a menor distância possível.

De acordo com Yuri, são muitas as formas de aplicar a IA no setor portuário e marítimo. Os usos podem ser divididos em três grandes vetores:

  • gestão de performance, para melhorar a performance dos ativos;
  • otimização da utilização da capacidade operacional, isto é, encontrar e quantificar e realizar o melhor posicionamento e alocação dos ativos;
  • reinvenção do modelo operacional ou para transformar o negócio em uma empresa digital.

“Entendemos a necessidade de utilizar essa tecnologia não somente para entregar excelência operacional, mas para também aprimorar a nossa cultura”, explica Yuri.

Ao redor do mundo, existem armadores e terminais que empregam IA em suas operações para predizer quais serão as condições ambientais que uma embarcação encontrará ao chegar ou sair de um porto. Quando um navio sai da China e vem para o Brasil, por exemplo, ele segue uma determinada rota que pode ser redirecionada conforme dados coletados por diversos sensores — isso é bem útil para deixar o transporte mais eficiente.

Ao ser questionado sobre os usos no setor, Toine Cleophas, gerente de pesquisas da DAMEN mencionou que seus clientes, na maioria das vezes, visam três objetivos específicos: segurança, sustentabilidade e eficiência. “Os dados, por si só, não geram nenhum valor: precisamos seguir para a próxima etapa, que consiste em organizá-los e direcioná-los para atingir as metas desejadas”.

Infográfico: IA nas operações.

Principais vantagens das novas tecnologias para rebocadores

Segundo Eduardo e Rodrigo, do TPN-USP, equipamentos com GPS acoplados e técnicas avançadas de filtragem possibilitam visualizar com precisão a embarcação navegando em imagens 2D. Na visão dos especialistas, essas funções são proveitosas para os rebocadores por contribuírem com a mitigação de riscos.

Em relação à coleta de dados, há diversas opções para viabilizar novas operações e analisar em tempo real como uma manobra aconteceu a partir das informações obtidas. “No futuro, isso poderá ser integrado aos dados dos simuladores, gerando boas vantagens para quem atua na área”, apontam.

Para Yuri, um dos principais benefícios se reflete no ganho de sustentabilidade: “como haverá mais inteligência na logística, será viável otimizar deslocamentos e evitar o consumo desnecessário de combustível, o que é bom para o meio ambiente”.

Além das operações nos portos, tripulações e equipes de manutenção de terra podem ser beneficiados pela IA. “Na Wilson Sons, temos uma Central de Operações que monitora os nossos 80 rebocadores em 25 portos pelo Brasil. Com essa tecnologia, vamos aumentar nossa eficiência, balanceando picos de demanda e paralisações para docagens”, explica Yuri.

O gerente regional ainda explica que:

Como são muitas variáveis que podem afetar a melhor alocação do rebocador, a IA viabiliza o aprofundamento em todas as dimensões destas variáveis para oferecer boas sugestões aos operadores da Central.

– Yuri Fedoruk

Se por alguma razão, um rebocador não pode participar de uma manobra — por estar em meio a uma inspeção, por exemplo —; nesses casos, a Inteligência Artificial reprocessa esta informação e faz uma nova sugestão ao operador.

Os desafios da IA no setor marítimo

Segundo Elísio, o principal desafio da IA no setor se deve ao pioneirismo das iniciativas. “Não existe nada parecido, saímos do zero e, a cada instante, descobrimos novas possibilidades de uso. Desta forma, não há como saber, até onde podemos chegar. Trabalhar com uma grande quantidade de dados é desafiador, assim como cruzar diversos tipos de informação e construir um algoritmo a partir deles”, diz ele.

Yuri faz comentários que seguem a linha de raciocínio de seu colega. “A Wilson Sons tem 183 anos e, portanto, não nasceu digital. Por isso, queremos muito avançar em processos estratégicos usando tecnologias inovadoras.”

A IA no futuro dos rebocadores

De acordo com Toine, o segmento marítimo ainda é fragmentado e precisa de integração entre as diferentes tecnologias. Afinal, o monitoramento informa sobre o histórico e os simuladores ajudam a entender o futuro para que, antes de iniciar o trabalho, seja possível prevenir o que acontecerá nas navegações.

Por isso, a tendência é que, nos próximos anos, a utilização da IA no setor seja pautada por soluções modulares, configuráveis e escaláveis, e não de uso único ou restrito. Dessa forma, as equipes e tripulações terão funções mais voltadas à supervisão do que à execução.

Ou seja, é provável que haja um avanço na automação de rebocadores. Alguns portos já dispõem de caminhões dirigidos pela IA dentro da estrutura do terminal.

Enfim, as mudanças vêm para facilitar o trabalho e é preciso treinar as pessoas para lidar com essa transformação tão expressiva. Não à toa, cientistas de dados e profissionais especialistas em IA, programação e códigos serão fundamentais durante a transição, bem como as empresas que vêm se adequando ao longo dos anos.

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Expectativas e Tendências

O futuro do gás natural no Brasil

Conheça as principais perspectivas de grandes especialistas sobre o futuro do gás natural no Brasil.

Conheça as principais perspectivas de grandes especialistas sobre o futuro do gás natural no Brasil.

"O gás natural é menos poluente e mais barato que o diesel, além de solução energética ele pode ser usado em indústria e gera muita competitividade e barateia os custos."

– Thalita Sá, executiva de desenvolvimento de negócios no segmento de óleo e gás da empresa Wilson Sons

De acordo com dados levantados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e divulgados pela Agência Brasil, a produção brasileira líquida de gás natural deve aumentar mais que 100% até 2030. Vale lembrar que, ainda segundo a EPE, a produção nacional cresceu, em média, 7,6% ao ano entre 2009 e 2018.

Afinal, quais são as tendências para os próximos anos? Como esse potencial pode ser aproveitado? O que favorece o crescimento desse importante mercado em nosso país?

Para responder a essas questões, entrevistamos pessoas que vivenciam essas transformações em seus cotidianos — Thalita Sá, que é executiva de desenvolvimento de negócios no segmento de Óleo e Gás da divisão de Agência Marítima da Wilson Sons; Elísio Dourado, gerente regional na divisão de Rebocadores da Wilson Sons e Luiz Costamilan, secretário-executivo de Gás Natural do IBP.

Os treinamentos são abrangentes, porque procuramos entender todas as variáveis e garantir a segurança da operação.

O crescimento da produção de gás natural no Brasil

Na visão de Thalita, não só os números, mas também as conversas e projeções em torno do gás natural cresceram muito. O retrato disso são as iniciativas das empresas, que estão criando novos meios para escoar e distribuir melhor essa fonte de energia — uma das mais limpas que existem.

Além da busca geral por expansão no setor, é fundamental considerar o Brasil, que já é um produtor muito importante em virtude da evolução dos campos de desenvolvimento do pré-sal.

– Thalita Sá

Para explicar esse movimento, a especialista aponta o nascimento de projetos grandiosos no país, como a chegada da Usina Termelétrica Porto de Sergipe (UTE), cujo processo de regaseificação se dá através de uma FSRU (Floating Storage Regasification Unit). De modo resumido, o gás chega para o Terminal (plataforma) em formato líquido e essa unidade recebe o gás, regaseifica e passa para a termelétrica. Trata-se de uma operação segura, visto que o gás líquido vem em uma temperatura baixa.

Elísio, por sua vez, também trouxe informações relevantes ao comentar sobre a viabilização de uma planta de regaseificação no cenário Offshore atendida pela Wilson Sons. “Fizemos a primeira operação ship-to-ship do terminal Offshore de uma parceira e usamos quatro rebocadores da Wilson Sons, sendo que três deles foram deslocados de outros portos em que a companhia opera — foram três rebocadores de 70 toneladas e um de 50 toneladas. Após esta operação inicial, mais duas outras já foram realizadas, fazendo uso desta logística, que entendermos ser, de grande eficiência para o nosso Cliente”, relata.

Segundo Luiz, as mudanças na relação dos empresários com o gás natural no Brasil é um indicativo que não pode ser ignorado — e isso também se explica pela implementação do novo marco regulatório no mercado, responsável por gerar oportunidades para o país e para a indústria como um todo.

Tal iniciativa cumpre o papel de garantir a entrada de novos agentes no setor e atrair mais investimentos. “O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com a criação do Novo Mercado de Gás Natural e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), emitiu decisões que sinalizam o fim da hegemonia no setor”, aponta Luiz. Com a alteração, vários comercializadores poderão vender para milhares de clientes, por exemplo, sem causar danos à integridade do negócio de distribuição, promovendo a competitividade.

Operação de óleo e gás com participação da Wilson Sons em Sergipe

Principais desafios e expectativas para o futuro do gás natural no Brasil

De acordo com Thalita, escoamento e distribuição são dois grandes desafios: “estamos estudando cada vez mais sobre boas formas de viabilizá-los no sentido de melhorar a comercialização do gás”. Apesar dos percalços, ela visualiza uma tendência de crescimento no uso dessa fonte de energia, que ainda pode ser usada como combustível. É oportuno ressaltar que o gás natural é menos poluente e mais barato que o diesel, além de ser uma excelente alternativa de solução energética para a indústria.

Embora a Europa ainda ocupe um lugar superior nesse mercado, o Brasil pode se tornar um dos maiores produtores em médio ou longo prazo. Para isso, é preciso simplificar processos internos e aproveitar de modo mais consistente a abertura para que empresas privadas participem dos leilões.

As expectativas de Elísio também vão nessa linha. Para ele, com o aumento da exploração do pré-sal, o mercado incentivará a produção de energia limpa e o seu consumo nas indústrias. “Temos alguns estudos realizados com o estaleiro da Wilson Sons para adaptar ou construir um rebocador utilizando como combustível o gás natural. Em longo prazo, analisamos a construção de uma embarcação específica com essas características para operar em projetos ligados ao setor”, relata.

Para Luiz, a tarefa mais desafiadora consiste em identificar consumidores-âncora e garantir uma demanda contínua de gás natural. Outros pontos que exigem atenção são:

  • capacitar a ANP a fim de estabelecer novas regras para o sistema de entrada e saída na contratação de transporte por gasodutos;
  • assegurar a fiscalização;
  • fazer com que a regulação estadual defina procedimentos para que Consumidores Livres possam negociar as condições direto com as empresas comercializadoras.

Dessa forma, será possível desenvolver um mercado aberto e competitivo para aproveitar o gás natural do pré-sal e alavancar o crescimento industrial do país. Isso porque o gás tem um papel de destaque na matriz energética global, sendo considerado o combustível de transição na geração elétrica, além de garantir o suprimento das fontes renováveis.

No Brasil, o crescimento da utilização do gás natural pelo setor elétrico demonstra a participação estratégica do insumo na matriz energética. A expansão do setor é iminente, com ampliação de oportunidades de negócios em todas as etapas da cadeia produtiva.

– Luiz Costamilan

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Consciência Ambiental

Responsabilidade empresarial ambiental: adequação para sobrevivência

O cuidado com o meio ambiente pode também ser um importante driver de inovação capaz de garantir a perenidade das empresas.

O cuidado com o meio ambiente pode também ser um importante driver de inovação capaz de garantir a perenidade das empresas.

O ano de 2020 começou com a cobrança por parte do fundador e diretor executivo do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, sobre a responsabilidade das empresas diante das metas climáticas. Há grande expectativa por parte da Organização das Nações Unidas (ONU), de ambientalistas e também economistas, de que 2020 seja um ano de ações e avanços no que diz respeito à responsabilidade empresarial ambiental.

As empresas que estiveram em Davos, neste início de ano, foram chamadas ao comprometimento em relação a meta de zero emissões de carbono até 2050 ou antes. A carta enviada aos convidados do evento — líderes das empresas — , já dizia que a reunião deste ano era a oportunidade para mostrar liderança diante da preocupação com as mudanças climáticas.

A economista dinamarquesa Inger Andersen, diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o PNUMA, atenta para a necessidade de a pauta ambiental influenciar outros setores da sociedade, indo muito além do âmbito ecológico. Posicionamento que tem direcionado instituições importantes para o segmento marítimo, como a Organização Marítima Internacional (IMO, sigla em inglês) e impulsionado empresas do setor a adotarem meta de carbono zero.

O desafio das empresas é fugir da visão de curto prazo e cuidar dos prós e contras do investimento em tecnologias e soluções mais sustentáveis.

– Cristóvão Alves

De acordo com Cristóvão Alves, analista-chefe da Sitawi, eleita uma das melhores casas de pesquisa socioambiental para investidores no mundo, as empresas mais bem-sucedidas no menor impacto ao meio ambiente, sem perder em produção, são aquelas que conseguem usar a sustentabilidade como um driver de geração de valor, e não somente de custos ou ferramentas de marketing.

“O principal desafio é demonstrar que o custo adicional de se ter uma cadeia produtiva mais responsável é algo que o consumidor final deve estar disposto a pagar. Em setores como o de infraestrutura, o desafio pode ser ainda maior por estarem sujeitos a tarifas reguladas. Por isso, o convencimento deve ser em relação ao órgão regulador, governo e sociedade, o que, muitas vezes, leva tempo. Nesses casos, o desafio das empresas é fugir da visão de curto prazo e cuidar dos prós e contras do investimento em tecnologias e soluções mais sustentáveis”.

Ainda segundo o analista-chefe da Sitawi, num processo de seleção natural de empresas, aquelas que não possuem preocupações ambientais, sociais e de governança, tenderão a desaparecer no longo prazo.

“A integração de sustentabilidade na estratégia corporativa é um novo paradigma técnico que as empresas, por vontade própria ou por pressão do mercado, terão que seguir. A prova disso é o compromisso recente do CEO da BlackRock no sentido de descarbonizar seu portfólio de investimentos ou do Goldman Sachs a não realizar IPOs de empresas que não possuem representação e diversidade a nível do board”.

Zero emissões de carbono até 2050 ou antes

Créditos: Getty Images

O que é ser zero em emissões de carbono?

Afinal, sua empresa sabe o que é de fato ser zero em emissões de carbono? De acordo com a Especialista em Meio Ambiente da Wilson Sons, Camila Felipe, primeiramente, é preciso esclarecer que ninguém é 100% zero em emissões de carbono, isso quer dizer que, para alcançar a neutralização das emissões requer iniciativas de compensação. Compensar as emissões de carbono significa remover o carbono da atmosfera através de práticas como a compra de créditos de carbono, tornando uma empresa zero em emissões líquidas de carbono.

“As empresas devem adotar estratégia de neutralização de suas emissões de carbono com base na premissa de reduzir para depois compensar. A neutralização deve ser responsável, sendo preciso conhecer a quantidade de emissões geradas pelas atividades, por meio do inventário de gases de efeito estufa para definir como estas emissões podem ser reduzidas ao máximo e finalmente quais medidas serão adotadas para compensar as emissões que não podem ser evitadas. As empresas de logística, por exemplo, devem investir em medidas de eficiência energética e troca de combustível fóssil por fontes mais limpas – renováveis e somente depois do esforço da mitigação, as emissões restantes devem ser compensadas por uma quantidade equivalente de remoção de carbono.”

Para evitar o agravamento do aquecimento global, as corporações brasileiras podem adquirir reduções certificadas de emissão de carbono para compensação anual de suas emissões no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Quioto, firmado entre os países integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de se reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.

Energias alternativas

Vale destacar que um grande risco para as empresas é a alta dependência de combustíveis fósseis. Este risco exige das organizações o exercício de avaliar suas decisões de investimento do presente que certamente influenciarão na sua existência em um ambiente futuro de negócios menos intensivos na emissão de carbono. As empresas que possuem ativos baseados no consumo de energia fóssil precisam de estratégia para adaptação e para isso, a alternativa é definir metas de médio e longo prazos buscando o uso de energias limpas.

O acompanhamento e controle de metas de redução das emissões pode ser realizado com base na metodologia GHG Protocol, mais usada mundialmente para gerar inventários de gases do efeito estufa. O intuito é medir as emissões e identificar fontes para viabilizar iniciativas de mitigação. A especialista em Relações Externas da Shell Brasil, Denise Maranhão, destaca que para uma empresa estabelecer suas metas de redução de emissões, é necessário fazer um inventário de emissões (escopo 1, 2 e 3). Além de adequações nos processos, priorizando ações mais custo-efetivas.

Não há uma ‘receita de bolo’. Cada empresa precisa medir suas emissões periodicamente e fazer um plano de redução que faça sentido para o seu processo específico.

– Denise Maranhão

A Wilson Sons reduziu em 12% as emissões de dióxido de carbono equivalente (CO2eq) em suas operações

Desafio climático e a influência reputacional

Ainda de acordo com a especialista, as empresas que não se preocuparem com a questão ambiental, sofrerão impacto reputacional e pressão da sociedade de uma forma ainda mais forte e rápida pelas redes sociais. Além disso, há o risco de sofrer sanções comerciais ou judiciais severas.

“A Shell acredita que há necessidade de a sociedade como um todo enfrentar o desafio climático. Achamos que o objetivo de longo prazo de alcançar ‘emissões líquidas zero’ é desafiador, mas viável. Isso exigirá ações urgentes e visão de longo prazo dos formuladores de políticas para estimular as oportunidades comerciais e de consumo”.

A petrolífera anglo-holandesa apoia o Acordo de Paris e acredita que a implementação vai demandar soluções variadas e uma colaboração sem precedentes entre governos, empresas e sociedade civil. “A definição de regras do Acordo de Paris pode ajudar os governos a colocarem preço nas emissões de CO2. Isso é crucial, já que pode desencadear poderosas forças de mercado para desenvolver um sistema global de energia de baixo carbono, de uma maneira economicamente eficiente”.

“A Shell tem apoiado os governos a colocarem um preço no carbono para que a indústria de petróleo e gás, o setor de energia elétrica e o consumidor tenham o incentivo para se tornarem mais eficientes em energia e, finalmente, reduzirem as suas emissões de carbono. A meta primordial no cenário da Sky Shell é zero emissões líquidas até 2070 mundialmente”.

“No Brasil, para implementação de um mercado de carbono, é importante que se estabeleça a governança do processo e um marco regulatório claro, para que as empresas operem com previsibilidade e menos riscos. O marco deve contemplar os critérios de alocação de direitos por emissão e/ou metas por intensidade e de MRV (Monitoramento, Relato e Verificação) das emissões. E ainda as oportunidades que as florestas trazem para o país, para evitar dupla contagem, e as oportunidades que o artigo 6 do acordo de Paris traz para transações internacionais, além da eliminação de potenciais barreiras comerciais. Precisaremos, ser cada vez mais eficientes na produção de energia, ao mesmo tempo em que reduzimos as nossas emissões”.

A Wilson Sons reduziu em 12% as emissões de dióxido de carbono equivalente (CO2eq) em suas operações, de acordo com o inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE) da companhia, relativo a 2018. Naquele ano, as empresas emitiram um total 54 mil toneladas de CO2eq, contra 62 mil toneladas registradas em 2017. Esta é a sexta vez que a Wilson Sons integra o Programa Brasileiro GHG Protocol.

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Logística multimodal

Conheça os benefícios da navegação interior para o Brasil

Entenda por quais razões ela é economicamente vantajosa para o país e o que a transforma em um enorme potencial a ser explorado. Um país de proporções continentais não pode ignorar a rentabilidade e possibilidades oferecidas pela Navegação Interior. Entenda mais no infográfico!

Entenda por quais razões ela é economicamente vantajosa para o país e o que a transforma em um enorme potencial a ser explorado. Um país de proporções continentais não pode ignorar a rentabilidade e possibilidades oferecidas pela Navegação Interior. Entenda mais no infográfico!

De acordo com dados levantados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT)1 em 2019, dos 63 mil quilômetros que poderiam ser utilizados, apenas 19,5 mil (30,9%) são aproveitados comercialmente, isto é, para o transporte de cargas e passageiros. A navegação interior ainda pode crescer muito.

Para tratar desse tema tão relevante, conversamos com Adalberto Tokarski — diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) — ; Mário Borba — gerente da Wilson Sons no Tecon Santa Clara — ; Sandro Sabka — responsável pela gestão da cadeia de suprimentos da ARLANXEO — ; e Diogo Cavalcanti — gerente de logística da Duratex.

Os embarcadores que adotaram a hidrovia como alternativa de escoamento.

O funcionamento da navegação interior e seu estágio atual

A navegação interior é o transporte feito em hidrovias interiores — em percursos nacionais ou internacionais.

Além de ter uma importância histórica gigantesca, ela é uma alternativa mais econômica e com menos impactos negativos no meio ambiente e na segurança do transporte quando comparada a outros modais.

De acordo com Mário Borba, “o modal é mais competitivo na logística multimodal integrada até o porto”. Como se não bastasse:

Trata-se de uma opção melhor em termos de segurança, com menor incidência de avarias nas cargas e, ainda, reduz o impacto ambiental.

Explica o gerente da Wilson Sons no Tecon Santa Clara.

Para Sandro Sabka, responsável pela gestão da cadeia de suprimentos da ARLANXEO, a navegação interior ainda cresce de forma tímida em território nacional. “Em um país continental como o Brasil, ela já deveria ser amplamente explorada — apesar disso, estamos satisfeitos com o desenvolvimento no transporte hidroviário para o porto de Rio Grande.”

O modal tem espaço para crescer ainda mais no país, com bons exemplos aparecendo de modo mais frequente ao longo dos últimos anos, principalmente em relação aos embarcadores que adotaram a hidrovia como alternativa de escoamento.

Ao comentar sobre o desenvolvimento da navegação fluvial no Norte, Diogo Cavalcanti destaca a hidrovia situada entre Porto Velho (RO) e Belém (PA), que é uma boa opção de transporte de matéria-prima para as indústrias localizadas em Rondônia e no Acre. Antes, elas eram abastecidas por rodovias que passavam por Centro-Oeste e Sudeste.

Portanto, mesmo em trechos mais curtos, que não viabilizariam, em tese, o transbordo para a operação parcialmente fluvial, é possível notar uma evolução significativa. “A navegação entre o Tecon Santa Clara até o Porto de Rio Grande exemplifica muito bem como o modal pode ser usado na logística brasileira”, completa o diretor da Duratex.

A relação entre a Tecon Santa Clara e Tecon Rio Grande

Ao refletir sobre o momento do Tecon de Santa Clara, Borba identifica “um movimento bem interessante decrescimento do terminal multimodal, que é o que o mercado gaúcho precisa”. É oportuno ressaltar que a operação de contêineres na hidrovia aconteceu entre 2000 e 2010. Em 2016, a utilização do contêiner na hidrovia voltou a ser uma opção por meio do Tecon Santa Clara.

Para se ter ideia da relação próxima com o terminal gaúcho, o contêiner que passa pelo Tecon Santa Clara só tem um destino: o Tecon Rio Grande. “Trabalhamos com janelas de atracação e temos duas embarcações no sistema, que vão até Rio Grande quatro vezes por semana. Do Tecon Santa Clara até o Tecon Rio Grande o trânsito é de 24 horas — dessa forma, garantimos para o embarcador o cumprimento do deadline”, explica Borba.

Entre os terminais, são transportados mais de 2300 contêineres por mês. “O transporte do Tecon Santa Clara até o Tecon Rio Grande é o principal modal no escoamento da exportação da nossa unidade de Taquari (RS)”, comenta Diogo Cavalcanti, que destaca as alternativas logísticas oferecidas, além do auxílio na gestão de cada embarque de exportação.

Em 2016, a utilização do contêiner na hidrovia voltou a ser uma opção.

Tecon Santa Clara, da Wilson Sons

Principais vantagens e desafios da navegação interior

Na visão da Antaq, segundo seu diretor, Adalberto Tokarski, são nítidos os benefícios proporcionados pela navegação interior ou fluvial. “A navegação fluvial é mais segura, emite menos CO2, o que é ótimo para o meio ambiente, e tem um volume de acidentes muito baixo, gerando uma economia abrangente para a sociedade”, pontua.

Na visão do diretor da Antaq, as maiores vantagens são:

  • segurança da tripulação;
  • segurança da carga;
  • fluidez no transporte;
  • economia de combustível;
  • aumento de competitividade e de qualidade;
  • economia com atendimento (de forma indireta);
  • custo operacional menor em relação aos outros modais;
  • boa capacidade de carga.

No aspecto da navegação, as empresas brasileiras sentiram a necessidade de buscar soluções tecnológicas para ter uma operação mais segura em grandes rios. Isso contribuiu para que as embarcações tivessem melhores recursos para navegar e executar determinadas manobras.

Para aumentar a utilização e a operação da navegação fluvial, Tokarski acredita que:

É necessário consolidar esse modal como um ambiente seguro e atrativo para as operações, com vias navegáveis preparadas para navegação 24 horas, manutenção de dragagem, sinalizações e aprimoramento da via.

Para Sandro Sabka, “o maior desafio é a necessidade de um planejamento mais sólido devido à menor flexibilidade desse tipo de operação”. Diogo Cavalcanti, por sua vez, ressalta que é preciso ampliar a capacidade para novos fluxos e para os que já existem, a fim de suportar eventuais impactos causados por alterações nas marés e ausências de chuvas.

Expectativas para o futuro e possíveis caminhos

Para a Wilson Sons, segundo Borba, a expectativa é de crescimento, porque o Tecon Santa Clara é hoje o terminal hidroviário que mais movimenta cargas em contêineres do Brasil. “No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, 66 municípios têm recursos hídricos. Quando as empresas tiverem acesso amplo aos terminais, poderão usufruir mais desse modal, o que seria benéfico para todas as partes envolvidas”, indica.

Ao ser questionado sobre possíveis fontes de inspiração para a prática da navegação interior no Brasil, Adalberto Tokarski aponta dois modelos que fariam sentido em nosso território, cujas dimensões são continentais e há várias particularidades logísticas.

Ele aponta que o estado norte-americano do Misssissipi e os rios da Amazônia têm características específicas e se assemelham. “Nos EUA, houve obras para possibilitar a navegação durante o ano todo, o que é positivo. Outro exemplo são as vias navegáveis da Holanda e seus rios, onde fizeram canais de navegação, o que se assemelha um pouco com a navegação que fazemos no Sul de nosso país”, finaliza.

A navegação interior é repleta de potenciais e tende a ser uma opção de modal cada vez mais utilizada no território brasileiro. Por isso, vale a pena acompanhar seu desenvolvimento por meio do Painel da CNT2 e compreender o que pode ser feito para aprimorá-la.

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Mercado de trabalho

Futuro do trabalho: o mercado e suas transformações

O mercado mudou e isso é nítido, mas como as transformações influenciarão o futuro do trabalho?

O mercado mudou e isso é nítido, mas como as transformações influenciarão o futuro do trabalho?

É consenso: as transformações no mercado influenciam de forma direta o futuro do trabalho. Entretanto, de quais formas essas mudanças se manifestam? Como se preparar para os desafios dos próximos anos? Existem tendências capazes de apontar as competências que serão mais exigidas dos profissionais?

A fim de obter uma perspectiva precisa a respeito desse tema tão relevante, entrevistamos Aléa Fiszpan, diretora de Desenvolvimento Organizacional da Wilson Sons, para uma reflexão sobre o tema.

Também conversamos com Isabel Armani, que é especialista na área de futuro do trabalho e fundadora da Thérèse Desenvolvimento Organizacional. Aproveite as informações!

Aléa Fiszpan, Wilson Sons

O conhecimento é acessível e todos podem aprender muito.

As transformações do mercado de trabalho

No senso comum de quem trabalha em diferentes setores da economia, há uma ideia de que máquinas e dispositivos eletrônicos são potenciais substitutos dos humanos. Afinal, por que contar com trabalhadores, se os robôs podem fazer mais em menos tempo? Na visão de Isabel, essa é uma impressão falsa, visto que a tecnologia será cada vez mais usada para dar espaço à criatividade humana, em vez de substituí-la.

Porém, para que esse objetivo seja atingido, profissionais deverão investir em aprendizado contínuo.

As pessoas precisarão pesquisar mais, formular boas perguntas e compreender os motivos e as consequências que estão por trás de suas ações no trabalho”, aponta a especialista.

Por conta disso, as lideranças devem apostar em um tratamento humanizado, que se vale da comunicação franca e direta. Teremos processos ainda mais velozes e inovadores, o que eleva à importância de manter diálogos frequentes para auxiliar as pessoas a encontrarem os melhores caminhos em suas decisões.

Isabel crê que “aqueles que sabem como executar determinada tarefa devem ajudar quem ainda não sabe, e cabe ao líder estimular o aprendizado das pessoas. Do ponto de vista formal, o conhecimento é acessível e todos podem aprender muito”.

Com base na sua experiência na Wilson Sons, para Aléa, não existem meios para adivinhar o futuro, mas é possível identificar algumas tendências que ganharam bastante força nos últimos anos, como ficar no mesmo emprego até o momento da aposentadoria.

“A presença da gig economy crescerá — nela, as empresas contratam pessoas para serviços pontuais, sob demanda. Nessa dinâmica, será comum ter mais de uma ocupação, fazendo com que os profissionais tenham formações generalistas, incentivando-os a explorar novas habilidades”, completa.

Como é o profissional do futuro? Quais habilidades serão valorizadas?

Para Aléa, as próximas décadas serão dominadas por pessoas que conseguem resolver problemas complexos envolvendo dados e inovação, o que exige noções básicas de várias áreas. “A atuação será menos individual e mais colaborativa, ao passo que a flexibilidade das pessoas se estenderá à jornada de trabalho, que poderá ser reduzida com o objetivo de elevar o bem-estar familiar e pessoal”, destaca.

Mais adiante, ela ressalta a importância que a inteligência emocional terá como competência profissional. “Os profissionais do futuro serão obrigados a acompanhar transformações disruptivas e constantes. Será preciso ter uma mente sã e flexível, que consiga controlar as emoções, mesmo que tudo possa mudar em poucas horas”, diz.

Segundo o escritor Yuval Noah Harari, autor do bestseller Sapiens, os indivíduos serão responsáveis por conduzir suas próprias atualizações profissionais, sendo que o principal ponto dessa requalificação está no investimento em inteligência emocional e saúde mental, pois as barreiras não serão físicas, mas psicológicas.

Profissionais que desenvolverem um conjunto específico de habilidades terão mais chances de encontrar boas oportunidades — afinal, trata-se de um contexto no qual os empregos se renovarão de modo acelerado. Algumas das habilidades que serão tratadas como indispensáveis pelos recrutadores, além da inteligência emocional, são:

  • capacidade de negociar;
  • rapidez para tomar decisões;
  • discernimento para julgar diferentes situações;
  • flexibilidade cognitiva;
  • disponibilidade para desaprender e aprender de outra forma;
  • versatilidade;
  • curiosidade.

Enquanto empresas, governos e estudiosos discutem o que fazer no plano macroeconômico cabe aos profissionais a missão de se preparar para esse novo cenário. Por um lado, as máquinas arruinarão milhares de empregos; por outro, criarão uma série de oportunidades.

A estimativa do Fórum Econômico Mundial no “Future of Jobs Report”, de 2018, comprova isso. “De acordo com a instituição, a nova economia criará 133 milhões de postos de trabalho até 2025 — 54% exigirão qualificações que ainda não existem. Quem aprende rapidamente e tem desejo de inovar acaba se destacando nesse cenário”, explica Aléa.

Os indivíduos serão responsáveis por conduzir suas próprias atualizações profissionais.

As tecnologias e o futuro do trabalho

Machine Learning, Internet das Coisas, Inteligência Artificial, Blockchain e Robótica — você provavelmente já ouviu falar em, pelo menos, um desses termos. Essas são algumas das tecnologias que estão revolucionando não só o mercado de trabalho, mas também a rotina e o convívio entre as pessoas.

Ainda de acordo com o “Future of Jobs Report”, 71% das tarefas analisadas pela pesquisa foram executadas por humanos e 29% por máquinas no ano de 2018.

Até 2022, a distância será menor, com 58% do trabalho feito por pessoas e 42% por robôs, ou seja, até mesmo atividades que exigem interação e raciocínio começarão a ser automatizadas.

De acordo com Isabel, as transformações não param por aí. “A solução da renda básica universal já é buscada em alguns lugares. Precisamos entender o nosso impacto social e apoiar os jovens. As empresas devem ter um compromisso que vai além da busca por lucro.”

Para desenvolver algumas das competências que serão mais buscadas, vale a pena tentar inserir, em sua rotina, oportunidades de desenvolvimento. Para Aléa, “o movimento é irreversível e vem sendo amplamente estudado e aprofundado nas relações dentro da Wilson Sons. Busque feedbacks honestos, apoiados em evidências, e pense em um plano para crescer a partir disso”, conclui a executiva da Wilson Sons.

Não deixe de promover uma troca com pessoas que possam ser referência nessas práticas e dê mais importância ainda aos estudos formais, independentemente do formato — livros, filmes, aulas, workshops etc. Assim, você se manterá em constante evolução.

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De olho no futuro

O setor marítimo nesta nova década: mudanças e expectativas

Dos combustíveis mais limpos à evolução da cabotagem, veja o que esperar do segmento.

A preocupação do setor marítimo se ampliou para o meio ambiente, para a tecnologia e para a inteligência artificial. Hoje, a navegação que transporta milhares de toneladas por dia e movimenta a economia mundial não se limita aos trâmites burocráticos e de manutenção. Também não se restringe às águas salgadas e amplia as possibilidades de inúmeros setores. Com destaque para a ciência da computação e integração do novo com a  conservação, conversamos com especialistas e mergulhamos na história da navegação para produzirmos um podcast fluido como as águas de um rio e profundo como as águas do oceano. Explore com a gente!

Dos combustíveis mais limpos à evolução da cabotagem, veja o que esperar do segmento.

A preocupação do setor marítimo se ampliou para o meio ambiente, para a tecnologia e para a inteligência artificial. Hoje, a navegação que transporta milhares de toneladas por dia e movimenta a economia mundial não se limita aos trâmites burocráticos e de manutenção. Também não se restringe às águas salgadas e amplia as possibilidades de inúmeros setores. Com destaque para a ciência da computação e integração do novo com a  conservação, conversamos com especialistas e mergulhamos na história da navegação para produzirmos um podcast fluido como as águas de um rio e profundo como as águas do oceano. Explore com a gente!

Há quem diga que o setor naval não evoluiu tanto, no que diz respeito à inovação, como o segmento da aviação e o mercado automotivo. O setor marítimo teve muitas evoluções no que diz respeito à modernização de maquinários, à automação e à inteligência artificial, mas ainda não experimentou uma realidade totalmente disruptiva. No Brasil e no mundo ainda não lidamos com navios autônomos, exceto por testes que vêm sendo desenvolvidos, como na Escandinávia, por exemplo, mas, ainda assim, para percursos e navios pequenos e com condições adequadas à navegação remota.

Será mesmo que o setor marítimo não evolui tanto desde as Grandes Cruzadas? De acordo com o diretor-presidente da Norsul, Angelo Baroncini, o setor já evoluiu bastante. “Na navegação, está sendo consolidada uma preocupação muito grande com o meio ambiente. Seja por razões próprias dos armadores, donos de navio, seja, por questões de comunidade, das pessoas e das culturas, mas também pela própria legislação.”

As emissões dos navios na poluição do ar em todo o mundo deverá cair de 5% para 1,5%.

O desafio dos combustíveis limpos

A virada para 2020 trouxe um grande desafio para o transporte marítimo: a obrigatoriedade estabelecida pela Organização Marítima Internacional (IMO) de redução do teor de enxofre dos combustíveis usados no setor. O acordo muda o teto de 3,5% para 0,5% a partir desse ano. Com isso, a participação das emissões dos navios na poluição do ar em todo o mundo deverá cair de 5% para 1,5%, de acordo com a organização.

“Além disso, vem ainda a obrigatoriedade de instalação de equipamentos que limpem a água de lastro para evitar contaminações e elementos nocivos vindos de outros países. A instalação de um sistema de filtros é também obrigatória, para que a água esteja sempre filtrada, antes de sair para o mar. Isso é muito importante, não apenas no caso do enxofre, mas também de outros combustíveis, como o LNG (Gás Liquefeito Natural), que polui ainda menos.

Assim, podemos destacar como grande evolução para o setor marítimo, a conscientização com o lixo marítimo e o rigor com a emissão de carbono, a tendência é melhorar cada vez mais.

O diretor de Assuntos Institucionais da Aliança e da Hamburg Süd, Mark Juzwiak, avalia, ainda, outro projeto do IMO de baixar a emissão de gás de efeito estufa, a partir de 2050 — cortar em 50%. “A maioria dos grandes armadores está investindo em novas tecnologias para se ajustar a isso. Pensando em novos combustíveis, estão sendo analisados gás, hidrogênio e várias alternativas que podem vir em 10 ou 15 anos.”

Novas parcerias, mais negócios

O diretor-presidente da Norsul destaca ainda que a indústria nacional tem feito significativas parcerias com o setor marítimo. “A expectativa é que a partir das regulamentações ambientais e com certificados que as empresas prezam por ter, aumente a demanda pelo setor marítimo em detrimento do rodoviário, segmento mais sensível em termos de seguro, acidentes, roubos, custo e poluição. Não existe nada formal em relação a isso, mas é uma tendência que vai acontecer naturalmente”, ressalta.

Já o Presidente da Log-In Logística, Marcio Arany, destaca que há um grande desafio e alerta para o setor em relação ao preço do combustível dos navios. “Estamos falando de 70% no aumento do preço do combustível das embarcações. Para quem transita apenas na costa, que é nosso caso, e que só tem um fornecedor de bunker, como acontece com a cabotagem, isso pode trazer uma diminuição da competitividade do modal frente ao rodoviário, que é nosso grande concorrente. O rodoviário, tem combustível diesel que aumenta conforme o critério do governo brasileiro. O bunker segue padrão mundial.”

Na opinião de Marcio Arany, o principal destaque para o setor marítimo na última década é a evolução da cabotagem e a melhoria da produtividade. “Dois pontos importantes foram o incremento de produtividade dos terminais e outro, no caso da cabotagem, a melhoria significativa do nível de serviço ofertado ao mercado”, salienta.

Ele explica que antes de 2010, no Brasil, tínhamos serviços com navios pequenos e que apresentaram muitos problemas de quebra.

Houve toda uma renovação da frota na cabotagem inteira com seus contêineres de 2010 para cá, e isso deu uma qualidade muito boa ao serviço na costa do Brasil.

Rebocador Uranos, da frota da Wilson Sons

Os profissionais do setor e suas novas necessidades

Sobre o profissional do futuro no setor marítimo, Baroncini entende que como qualquer profissional, a atualização constante é premissa para o sucesso. E ainda destaca o aumento da presença feminina no segmento marítimo na última década.

“Hoje, cerca de 9% do corpo marítimo da Norsul é composto por mulheres. Muitas entraram como pilotos, foram imediatos e, hoje, são comandantes. Outras começaram como ajudantes de máquinas e, hoje, são chefes de máquinas. Além disso, têm as engenheiras e comandantes de máquinas, que são as funções mais importantes a bordo. Elas gerenciam tudo e temos cada vez mais mulheres nesses cargos”.

Relacionado à questão de gênero, Baroncini explica que no setor marítimo, homens e mulheres são igualmente qualificados. “A atividade é muito militarizada, todos passam pela mesma escola e tem a mesma remuneração. Mas, sinto que as mulheres se preocupam mais em aprender com os erros e têm mais cuidado com o dia a dia”.

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Podcast

O que esperar do mercado marítimo nessa nova década

Entre o Santa Maria, o navio de Cristóvão Colombo, e as embarcações atuais que carregam mais de 100 mil toneladas em cargas pelos oceanos do mundo, o que mudou?

Qual será o futuro das embarcações? Quais tecnologias estão sendo aplicadas para aprimorar a navegação? Entenda!

Fizemos um apanhado da história das embarcações no mundo e conversamos com especialistas do Brasil que se dedicam a esse tema.

Acompanhe o nosso podcast!

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Segurança no transporte

A segurança no transporte de cargas de alto valor

Com o crescimento do mercado de luxo, vale a pena entender sobre tecnologias e processos que garantam a segurança no transporte. Confira o vídeo que elaboramos sobre o assunto!

Com o crescimento do mercado de luxo, vale a pena entender sobre tecnologias e processos que garantam a segurança no transporte. Confira o vídeo que elaboramos sobre o assunto!

O mercado de luxo está em franco crescimento no Brasil. A previsão é que ele movimente R$ 29 bilhões em 2023, de acordo com a consultoria Euromonitor Internacional. E nem mesmo a crise que afetou a economia brasileira influenciou esse segmento.

Segundo dados da consultoria, de 2013 para 2018, o aumento do mercado de luxo no país foi de 26%.

Ainda assim, há quem diga que os números estão aquém do potencial de compra desse público, com espaço para crescer ainda mais.

Com o crescimento do mercado de luxo aumenta também a necessidade de proteção adicional, assim como para toda e qualquer carga de valor agregado que tem sua atratividade pelas quadrilhas organizadas de roubo de carga no Brasil. De acordo com o vice-presidente para Assuntos de Escolta Armada na Fenavist e Presidente da Macor Security, Autair Iuga, nisso se enquadram as atividades de segurança privada.

“Nelas se destacam a proteção de personalidades como empresários e seus familiares (VSPP), de seus negócios e residências (segurança privada vigilância) e nos produtos de valor agregado, quando de sua movimentação e armazenamento da Escolta De Carga. Todas essas atividades devem ser regulamentadas e autorizadas pelo Ministério da Justiça e fiscalizadas pela Polícia Federal”, explica.

Cofre do Centro Logístico Santo André, da Wilson Sons

A tecnologia nas operações

A tecnologia também é bem-vinda e fundamental em todos os casos de segurança privada, tais como câmeras, sensores, alarmes, rastreadores, botões de pânico, gravação e armazenamento de imagens, entre outros. O crescimento do mercado de luxo no Brasil se deve, em boa medida, ao incremento das importações, o que faz, a cada ano, elevar as solicitações de Escolta Armada.

Considerando este segmento, podemos afirmar que a alta das importações geraram um aumento de 8% nas contratações de funcionários.

E, também, na utilização de armas, coletes de proteção balístico e viaturas apropriadas”, destaca Iuga.

Para o vice-presidente para Assuntos de Escolta Armada na Fenavist e Presidente da Macor Security, 2020 é um ano de muita expectativa para a segurança privada, quando será sancionado o Estatuto da Segurança que está sob análise há quase uma década. “A sanção está agora na reta final, e isso é uma necessidade nacional de modernidade e eficiência”, ressalta. Além disso, a reforma da previdência, a queda dos juros e a possível reforma da previdência são também mudanças favoráveis para a segurança privada.

Outro fator favorável para a segurança de cargas de alto valor agregado são as certificações, como as OEAs (Operador Econômico Autorizado), que também geram a diminuição da burocracia, a redução de custos e do tempo na Aduana. Vale destacar que a consultoria e o treinamento com especialistas em segurança diminuem a distância e a aplicação das técnicas mais perfeitas e adequadas para o atendimento da demanda, pois certamente apenas profissionais especializados e autorizados darão sequência até o término da missão, garantindo a segurança exigida.

O sigilo é outro ponto a ser observado na segurança das cargas de alto valor agregado — varejo de luxo, indústria química e itens de defesa. De acordo com o gerente comercial da Wilson Sons, Rodrigo Rocha:

Antes mesmo de o processo ter início, com as assinaturas de NDAs (no-disclosure agreements), o projeto de segurança de cargas só pode ser acessado pelas pessoas que estão diretamente envolvidas, ou seja, profissionais específicos na atuação dessa logística.

A importância da infraestrutura e dos processos

“A segurança é a soma da infraestrutura e dos procedimentos. Essas duas premissas estão diretamente ligadas e precisam andar juntas para a segurança do processo. Na infraestrutura, é preciso contar com aparatos e processos fortes, desde equipamentos com hardware e software para ajudar na gestão da operação. A Wilson Sons tem, por exemplo, sistemas de CFTV, operados por meio de um bunker, e uma seguradora de risco, numa área isolada. O acesso acaba sendo restrito para operação das câmeras. Também existe o controle biométrico para as áreas onde as caixas ficam armazenadas, apenas alguns colaboradores têm permissão para acessar”, revela.

O gerente comercial da Wilson Sons destaca também a importância do trabalho integrado para garantir a segurança da carga quando chega em uma zona de fronteira, aeroporto ou porto. “Temos um sistema integrado com a Receita Federal que faz com que saibamos exatamente o horário em que a carga vai chegar e de que maneira. Assim, nos preparamos para a chegada de cada uma especificamente. Existem alertas que enviam essas informações da carga para o fiel depositário e para o operador que está no gate.”

“Dessa forma, é feita a conferência e sabemos qual é o veículo, a placa e, no caso marítimo, o número do contêiner. Temos leitores automatizados de placas que garantem que a carga chegou. O motorista já está registrado no banco de dados, o que também dá mais segurança à operação. Quando tudo isso é validado, vem a autorização para a carga ingressar. Ela vem lacrada pela Receita Federal e concluímos o trânsito no período em que a segurança física e digital garantem que esse lacre tem o mesmo número, ou seja, não foi violada. O sistema de transporte também sabe identificar se essa carga foi desviada ou não porque o percurso é monitorado e há um prazo final para chegar.”

A Wilson Sons tem, por exemplo, sistemas de CFTV, operados por meio de um bunker, e uma seguradora de risco, numa área isolada.

Os indicadores de performance no setor

Para garantir total segurança de cargas de alto valor agregado, Rodrigo Rocha alerta também para a importância de se ter indicadores de performance. “Temos indicadores bastante operacionais, de tempo de permanência. Quanto tempo demorou para sair, para ser descarregada, em que momento foi dada presença de carga, tudo isso também validado pela Receita. E, ao final, após o armazenamento, o local onde foi armazenada, o endereços físico e do sistema.”

Ele explica que é preciso controlar se houve discrepância quanto ao volume e peso.

A Wilson Sons tem indicadores de performance próprios e que podem ser construídos de acordo com necessidades de clientes para medir a eficiência na segurança de cargas de alto valor agregado.

“Sugerimos alguns indicadores padrões, mas também estamos abertos para construí-los com cada cliente. Montamos um painel e podemos fazer isso semanalmente ou diariamente se for o caso”.

A qualificação dos operadores de cargas de alto valor agregado também precisa ser alta. “Os operadores devem ser treinados quanto à segurança patrimonial, roubo e avaria. Eles são preparados para atuação tanto no âmbito de equipamento, operadores de empilhadeira e manualmente para não danificarem nada. Eles passam por reciclagens constantes para garantir que não haja nenhuma avaria na carga.”

É preciso cuidar ainda das cargas com muita liquidez, ou seja, cargas de alto valor que podem ser facilmente absorvidas pelo mercado negro. “Isso requer um cuidado maior na operação, para garantir que serão realmente resguardadas”, salienta.

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